Coluna A música, o Luzeiro e o Tempo - por Mirianês Zabot


Num 9 de julho, há 40 anos, Vinicius de Moraes nos deixava. Sua obra, no entanto permanece através do tempo. Ela corre mundo, alimentando nossa sensibilidade, mostrando que ainda somos, e sempre seremos, capazes de amar.

Baseado na peça teatral “Orfeu da Conceição” de Vinicius de Moraes, o filme “Orfeu Negro”, lançado em 1959, tem direção do francês Marcel Camus e trilha sonora assinada por Tom Jobim e Luiz Bonfá. Reconhecido internacionalmente, o longa faturou um Oscar e uma Palma de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro, tornando-se referência para a produção cinematográfica brasileira. Nos lembrando da grandeza da obra do Poetinha.

A peça “Orfeu da Conceição”, lançada três anos antes do filme, é de fundamental importância para a nossa música, pois marca o encontro de Tom e Vinicius, que deu origem ao que se tornaria a Bossa Nova, um dos mais importantes movimentos musicais brasileiros. Além das formidáveis canções da dupla, o convite, feito pelo já consagrado poeta e diplomata Vinicius de Moraes, para que juntos compusessem a trilha musical do espetáculo, rendeu aquela famosa frase dita pelo jovem Jobim: "Tem um dinheirinho nisso aí?", mal sabia ele que tal parceria lhes renderia projeção mundial e garantiria um lugar de prestígio na história.

            “Orfeu Negro” é um filme delicado, cheio de poesia e simbologia. Sua trilha fundo se entrelaça com os sons da cidade. Uma música desliza harmoniosamente para outra música, ou para o afinado apito do navio que chegou ao cais da Cidade Maravilhosa, em pleno carnaval, trazendo a bordo a terna Eurídice, que chegara do sertão nordestino. Por meio de uma sinfonia carioca ou, melhor dizendo: um samba de enredo, o maestro soberano Tom Jobim, ao lado do não menos admirável Luiz Bonfá, nos apresentam a esse inebriante cenário.

Sambas, frevos, batucadas, feiras livres e o tradicional bondinho, dão o tom das festividades carnavalescas. O lúdico toma conta daqueles dias. Até mesmo um homem pobre, com suas vestes puídas, sai da loja de penhores com sua fantasia de rei, sentindo-se como tal, pelo menos enquanto durar o carnaval.

O envolvente “Frevo de Orfeu”, de Vinicius em parceria com Tom, nos apresenta ao sedutor protagonista, Orfeu, músico e morador do morro. O positivo samba “O Nosso Amor”, dos mesmos compositores, aponta o desejo de que essa contagiante felicidade perdure.

Na voz de Agostinho dos Santos, o lirismo do samba “A Felicidade”, de Vinicius e Tom, já nas primeiras cenas do filme, nos alerta para o quanto a felicidade pode ser efêmera, a exemplo da euforia do carnaval, que fatalmente acaba na quarta-feira de cinzas. É um suave anúncio do desenrolar desse enredo, que é um convite para pensarmos sobre a brevidade da vida.

A minha felicidade está sonhando
Nos olhos da minha namorada
É como esta noite, passando, passando
Em busca da madrugada
Falem baixo, por favor
Pra que ela acorde alegre com o dia
Oferecendo beijos de amor

A mesma música retorna mais adiante, quando além de descrever de forma muito sutil uma cena romântica, também demostra que a força do amor de Orfeu por Eurídice é capaz até de fazer com que o sol rompa o véu da noite, trazendo uma alegre manhã de carnaval. Com uma alusão ao mítico Orfeu grego, que para trazer de volta sua amada, do mundo dos mortos, não poderia olhá-la enquanto ela não estivesse novamente sob a luz do sol. A ideia de levar essa história para uma favela no Rio de Janeiro surgiu quando, ao ler um livro sobre mitologia, Vinicius ouviu na vizinhança o som vindo de uma roda de samba.

No mito grego, Orfeu tocava uma lira, ao som da qual ninguém podia conter a emoção. Já no filme, toca violão e ao cantar a comovente “Manhã de Carnaval”, de Luiz Bonfá e Antônio Maria, faz despertar o amor de Eurídice por ele, como almas que se reencontram. Esse samba se tornaria uma das músicas brasileiras mais regravadas, contabilizando quase 300 registros fonográficos, incluindo interpretações por grandes nomes da música mundial.

Manhã, tão bonita manhã
Na vida, uma nova canção
Cantando só teus olhos
Teu riso, tuas mãos
Pois há de haver um dia
Em que virás

Conforme descrito na tragédia grega, o Orfeu negro também viaja ao submundo, para encontrar sua amada. A adaptação se dá em um terreiro de Umbanda, - religião de matiz africada surgida no subúrbio do Rio de Janeiro em 1908 -, onde o herói fala com sua Eurídice, uma última vez, entoando um ponto para Ogum Beira-Mar, em um gira de caboclos.

Após a tragédia de Orfeu, seu amigo Hermes, - uma referência ao deus grego mensageiro, inventor da lira e patrono dos poetas -, lhe ensina o valor da caridade e acima de tudo: da gratidão. Porque qualquer instante de encantamento, já terá iluminado o caminho de uma vida inteira.

O mágico encontro de Orfeu com Eurídice finda com “Samba de Orfeu”, outra parceria de Bonfá e Antônio Maria, coroando, - com uma das cenas mais bonitas do filme -, a certeza de que através da inocência das crianças, a alegria sempre haverá de renascer.

* Confira a música “A Felicidade”, no show Mirianês Zabot e Oswaldo Bosbah cantam Vinicius de Moraes: https://youtu.be/OWMSwY6P2HY

por Mirianês Zabot









Em 19 de junho, comemoramos o Dia do Cinema Brasileiro. Foi nessa data, no ano de 1898, que Affonso Segretto registrou as primeiras imagens em movimento, feitas no nosso País. Ele filmou a sua entrada na Baía de Guanabara, a bordo do navio Brésil, retornando da Europa, após fazer um curso de operação de cinematógrafos.

Desde então, passaram-se mais de 120 anos de produções cinematográficas brasileiras. Dentre as quais, está o filme Cidade de Deus, que rendeu ao Brasil quatro indicações ao Oscar e uma indicação ao Globo de Ouro, - além de outras premiações -, colocando o cinema nacional em um novo patamar. Lançado em 2002, com direção de Fernando Meirelles e com música original de Antônio Pinto e Ed Côrtes, é uma adaptação do livro homônimo de Paulo Lins, escritor que cresceu na Cidade de Deus, subúrbio do Rio de Janeiro.

O longa conta a história de dois meninos, moradores da Cidade de Deus: Buscapé e Dadinho. O primeiro sonhava ser fotógrafo e o outro, queria ser bandido. A narrativa se desenrola sob o olhar de Buscapé, que se depara com a oportunidade de tirar a foto que mudaria sua vida ou que o levaria à morte.

A trilha sonora tem um papel fundamental para nos ambientar nessa história, nos conduzindo a uma época na qual a vida, mesmo sendo dura e violenta, parecia ter mais poesia. Eram os anos 60, quando surgiu a Cidade de Deus, trazendo a promessa de um paraíso para diversas famílias, que haviam ficado sem moradia, após enchentes e incêndios criminosos em suas favelas de origem. O sonho,  logo se transformou em uma nova favela carioca: sem água, luz, asfalto ou linhas de ônibus. Era um lugar esquecido, - onde o governo e os ricos jogavam o povo menos favorecido -, bem longe do cartão postal da cidade maravilhosa.

Citações instrumentais de canções icônicas aparecem, ao longo do filme, como que chamando nossa atenção para uma nova história, que começa a se desenrolar dentro da trama principal. Assim ocorre no breve romance entre Cabeleira e Berenice, que embalado pelo samba dolente “Preciso me Encontrar”, - composição de Candeia, eternizada na voz de Cartola em 1976 -, chega ao seu derradeiro e trágico fim, deixando sonhos por realizar, ao alvorar de mais um dia na Cidade de Deus.
“Vou por aí a procurar
Rir pra não chorar...
Quero assistir ao sol nascer

Ver as águas dos rios correr
Ouvir os pássaros cantar
Eu quero nascer
Quero viver”

Aliás, “Alvorada” é o nome da belíssima composição de Cartola, Carlos Cachaça e Hermínio Bello de Carvalho, lançada em 1974, no primeiro disco de Cartola, - quando o músico tinha 65 anos de idade -, com produção de João Carlos Botezelli (Pelão). Esse samba ilustra, com muito lirismo e otimismo, o dia a dia na Cidade de Deus, fazendo um contraponto entre o amor do casal Cabeleira e Berenice e, as duras batidas policiais feitas na favela, em busca dos responsáveis por um roubo que acabou em chacina, impactando irremediavelmente a vida de vários personagens.
“Alvorada lá no morro
Que beleza
Ninguém chora
Não há tristeza
Ninguém sente dissabor”

O tempo foi passado e a trilha sonora seguiu tal cronológica. A Soul Music, à brasileira, de “Azul da Cor do Mar”, - lançada em 1970 pelo próprio compositor Tim Maia -, e “Na Rua, na Chuva, na Fazenda (Casinha de Sapê)”, - composta e interpretada por Hyldon em 1975 -, tocava nos Bailes Black que agitavam a favela nos anos 70, embalando romances adolescentes. Sucessos da Soul Music e do Funk americanos também batiam cartão nessas festas, com músicas como “Get Up (I Feel Like Being A) Sex Machine”, de James Brown,  “Kung Fu Fighting”, de Carl Douglas e “Dance Across The Floor”, de Jimmy Bo Horne, lançadas em 1970, 74 e 78, respectivamente.

O filme mostra detalhes sobre o surgimento, funcionamento e leis do tráfico, bem como o dilema que jovens da comunidade enfrentavam: ganhar a vida honestamente ou pertencer ao mundo do crime. Porque, àquela altura, a Cidade de Deus já tinha um dono ditando as regras que a população deveria seguir. Ocorrem também as primeiras guerras entre gangues, ceifando a vida de crianças e outros inocentes, pelo objetivo de conquistar o domínio dos pontos de venda de drogas.

 “Metamorfose Ambulante”, música de Raul Seixas lançada em 1973, ilustra o anseio por mudança interior e exterior, do traficante Bené que, a partir daquele momento, se apresenta como uma figura carismática na favela, - boa praça e com ares de playboy -. Ao contrário de seu sócio Zé Pequeno, - o Dadinho, lá do começo do filme -, que desde criança já tocava o terror e, com o tempo, se transformou em um violento traficante, profissionalizando o negócio do crime e levando à comunidade o comércio de drogas mais pesadas.

O hard rock “Hold Back The Water”, lançado em 1973 pelo grupo canadense Bachman-Turner Overdrive, apareceu na  trilha para ilustrar que a vida na Cidade de Deus significava estar constantemente no fio da navalha. Um alegre baile, por exemplo, em instantes poderia se tornar uma tragédia.

A Cidade de Deus, que abarcava diferentes crenças, era também um purgatório na terra, onde a violência gerava mais violência, em infindáveis ciclos de vingança. Vejamos o caso de Zé Galinha: honesto ex-atirador do batalhão do exército, que só queria viver “O Caminho do Bem”. Após ter sua família brutalmente assassinada, ele entra para o universo do crime em busca de vingança, ao som de "Nem Vem Que Não Tem”, música de Carlos Imperial, lançada em 1967 por Wilson Simonal, inaugurando o movimento musical e cultural conhecido como Pilantragem.
“Pode aguardar
Que o mundo inteiro
Logo saberá
No Brasil primeiro
O caminho do bem”
O Caminho do Bem (composição de Beto Cajueiro, Serginho Trombone e Paulinho Guitarra, lançada por Tim Maia em 1976)

A única música não lançada na mesma época em que a trama se passa, é “Convites Para a Vida”, de Antônio Pinto, Seu Jorge, Edmilson Capelupi e Fabio Goes. Essa foi gravada especialmente para o longa, e aparece durante os créditos, na voz de Seu Jorge.

O filme Cidade de Deus, tem uma excelente trilha sonora, que além de traduzir os personagens e enriquecer a cena, dá representatividade a importantes movimentos musicais brasileiros, valorizando baluartes da nossa cultura. Músicas são registros socioculturais muito precisos de cada época, uma vez que explicam seu tempo e alertam sobre os tempos vindouros.

* Confira a música “Alvorada”, na voz de MIRIANÊS ZABOT, em seu show Gafieiras e Outras Verves (Baile de Gafieira): https://youtu.be/atmOJJTW0fo

por Mirianês Zabot









A Princesa e o Sapo, conta a história de Tiana, a primeira princesa negra a protagonizar um filme animado da Disney, lançado em 2009. Tudo se passa na misteriosa Nova Orleans, no estado da Louisiana (EUA).

Lembremos a célebre frase “canta a tua aldeia e serás universal”, pois é, a Disney fez exatamente isso em A Princesa e o Sapo. Causando em nós uma imediata identificação com o roteiro, que aborda de uma forma muito delicada e lúdica, o melhor e o pior da humanidade e da nossa sociedade. Através de personagens demasiadamente humanos e, - exatamente por esse motivo -, muito envolventes, o filme traz à luz de uma forma muito natural: - de um lado questões como o racismo, a diferenciação de classes, ostentação, futilidade, preconceito, avareza e ganância; - do outro lado valores como a pureza, o sonhar, perseverança, dignidade, trabalho, família, amizade, amor, alegria, música, religiosidade e ancestralidade. Esses elementos juntos compõem o que chamamos de Cultura de um povo, - de uma aldeia -. Tudo isso se faz presente na animação, bastar ter o coração aberto para sentir.

Para contar essa história e apresentar cada personagem, os diretores John Musker e Ron Clements, usaram a música como fio condutor. E não poderia ser diferente, já que tudo acontece durante o Carnaval, na musical Nova Orleans dos anos 1920.

A trilha sonora de A Princesa e o Sapo, assim como seu roteiro é contagiante. São letras, melodias e arranjos muito bem casados e cheios de referências à história da música do sul estadunidense e aos mestres do Jazz. A trilha da animação que marca o retorno da Disney ao formato dos musicais, foi agraciada com nomeações ou prêmios por importantes entidades da indústria musical e cinematográfica, como Grammy Award, Oscar, Revista Billboar e Rhapsody. Todas as canções foram composta por Randy Newman, exceto "Never Knew I Needed" de Ne-Yo, que não foi traduzida para o português. Entre as músicas que ganharam versão no nosso idioma, estão:

O Jazz “Quase Lá”, apresenta a esforçada e sonhadora Tiana, que desde criança tem o desejo de unir pessoas através da comida que ela serviria em seu restaurante. Nas palavras de seu pai: “Sabe o que a comida tem de bom? Ela reúne as pessoas de todas classes sociais, dá uma sensação boa e põe felicidade no rosto delas”.
"O meu pai me disse um dia
Tudo pode acontecer
Ver o sonho realizado
Só depende de você
Trabalhei bastante até aqui
Agora as coisas vão fluir...
Tantas lutas e problemas
Na vida tive já
Mas eu subi a montanha
Atravessei o rio
Estou chegando lá
Estou quase lá"

Já o fanfarrão Príncipe Naveen, sugere que o oposto seria uma ideia bem melhor...
"Cair na farra sem parar
Não soa nada mal...
Aproveite a vida então
Pra ter um pouco de diversão
É assim que as coisas são"
(Quando Formos Humanos)

A canção "Evangeline", traz a pureza do vagalume Ray, que personifica o amor platônico por uma estrela que brilha no céu e que, ele acredita ser sua amada pirilampo a lhe esperar.
"Como ela tão linda assim
Poderia gostar de mim?
O amor sempre acha um caminho"

O Bluegrass começa a dar o tom em "Vamos Levar Vocês", quando Ray conduz a festiva e reluzente quadrilha caipira de vagalumes "Pelo rio abaixo...", em meio aos sinuosos pântanos da Louisiana.

O misticismo, que faz parte do imaginário de Nova Orleans, surge através do Dr. Facilier na música “Amigos do Outro Lado”. Ele pratica vodu, magia negra e faz pactos com forças sobrenaturais, em troca de favores.

Já a boa prática da religiosidade, aparecesse com a cativante cega, Mama Odie que, com sabedoria, nos faz enxergar a diferença entre “o que queremos” e “aquilo de que necessitamos realmente”. A personagem é uma homenagem à contadora de histórias orleniana, Coleen Salley. 
"Cavando mais até o fundo
Descobrir quem são
Cavando mais até o fundo
Não é difícil não
Só assim vão descobrir o que precisam ter
O brilho do sol pode crer"
(Cavando Mais Até o Fundo)

O destaque especial vai para Louis, o divertido crocodilo trompetista, cujo grande sonho é tocar Jazz de improviso com os humanos, - sem apavorar ninguém, é claro! Louis representa todo amor e genuíno respeito que nós músicos, temos por ela, - a música. Esse personagem, cujo nome é uma justa homenagem à lenda do Jazz e filho de Nova Orleans, Louis Armstrong, sintetiza toda a efervescência musical da cidade, que é considerada o berço desse gênero, que surgiu por influência dos ritmos e cultura africana, trazidos ao país pelos escravos.
"Se eu fosse um ser humano
Iria pra Nova Orleans
E com o meu trompete eu daria um show
Seria um dos galãs
Conhecem Louis Armstrong e Sr. Sidney Brushade
Todos eles vão aplaudir
Quando lhes contarem o que sei fazer”
(Quando Formos Humanos)

O filme musical A Princesa e o Sapo, mostra que os sonhos se realizam. E que se quisermos, podemos até substituí-los por novos e melhorados sonhos, no decorrer da vida. Já o repertório, nos inspira a sair dançando pela sala de casa... Sorrindo atoa!

Depois de assisti-lo, me conta se você, assim como eu, não sentiu uma vontadezinha de ir conhecer...
“Uma cidade por onde o rio desce...
Onde a música começa cedo

E continua até o sol raiar...
Se quiser o bom da vida aproveitar
Venha pra Nova Orleans...
Ricos e pobres seus sonhos vão
Realizar em Nova Orleans”
(Lá em Nova Orleans)

* Para saber mais sobre A Princesa e o Sapo, confira a coluna Assistimos do @quantospaulos no CINE.RG: www.instagram.com/p/B_43O5vl1cq

por Mirianês Zabot






Nos idos de 1983, chegava ao público brasileiro, pela gravadora EMI-Odeon, o álbum "Alô Alô Brasil", décimo primeiro da carreira de Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior, o Gonzaguinha. Nesse disco estavam duas músicas que viriam a se tornar grandes sucessos na carreira do cantor, compositor e violonista, eram a faixa 5 do lado A, intitulada "Um Homem Também Chora (Guerreiro Menino)" e, no lado B, estava a faixa “Feliz”. Aqui falarei sobre a primeira delas, música que apareceria novamente na discografia póstuma de Gonzaguinha, em bonito LP/CD ao vivo, lançado pela Som Livre em 1993, chamado “Cavaleiro Solitário”, esse recheado de sucessos.

Quando recebi o convite para estrear uma Coluna sobre música, aqui na Revista Redação de Beleza, informaram-me que o tema da edição na qual sairia o meu primeiro texto seria “O que é ser um homem moderno e contemporâneo? Os desafios do homem do século XXI.”. Imediatamente lembrei-me da música "Um Homem Também Chora (Guerreiro Menino)", do moleque Gonzaguinha, compositor a quem dediquei meu mais recente CD "Mirianês Zabot canta Gonzaguinha - Pegou um Sonho e Partiu" e evidentemente, alguns anos da minha vida em um mergulho intenso, carinhoso e encantador em sua obra. Batizei a Coluna de “A música, o luzeiro e o tempo”, mas o porquê desse nome, já é um assunto para outra publicação...

Antes de falar da música em questão, falarei de seu autor. É marca registrada de Gonzaguinha nunca ficar apenas na superfície em suas composições. Ele tinha uma visão bastante ampla e profunda sobre os temas que abordava. E como isso é bonito! Como é necessário! Multifacetado, nos deixou um repertório que vai do lírico ao sarcástico e do romântico ao engajado. Compositor, cujas palavras, têm o peculiar poder de jogar luz sobre as nossas vidas nos fazendo refletir. Por vezes, até nos vemos retratados em alguma de suas letras. É por esses motivos que a música de Gonzaguinha é eterna.

Gonzaguinha foi um compositor que notoriamente entendeu a alma feminina. Ainda assim, soube traduzir também a alma masculina, de uma forma desprendida de quais quer costumes machistas da época. Percebendo e, acima de tudo, aceitando que o homem também chora e é sensível, que luta e trava grandes batalhas sim, mas por ser simplesmente humano, precisa e merece um descanso para respirar e sentir.

O compositor retrata um homem que recarrega suas forças na delicadeza e nas palavras amorosas. Cuja força não está necessariamente na contundência e no “falar grosso”. Mostra que o homem não precisa fazer “coisas de homem”, se isso não lhe for verdadeiro. Abre o caminho para pensarmos que a masculinidade pode ser expressada de maneira diferente por cada indivíduo e mostra que não há um único jeito de agir para ser considerado homem.

Essa letra propõe desconstruir padrões que foram plantados desde a infância e que, geração após geração, foram reforçados por pais, professores, amigos e sociedade como um todo, que ditam o que é “coisa masculina” e o que é “coisa feminina”. Para permitir o surgimento de um homem que tem empatia, visto que conseguiu aceitar-se como é verdadeiramente, libertando-se de ideias preestabelecidos. Um homem que percebe o quanto é opressivo, para todo mundo, ser aquilo que a sociedade machista exige de homens e mulheres.

Mostra que um homem pode ter medo, dúvidas e ansiedades, pode amar, sofrer, errar e até chorar. Porque os guerreiros são no fundo meninos, de alma sensível e coração amoroso. E são essas as suas armas mais poderosas.

Atente-se ao fato de que a música é de 1983!! Pois é, como veremos na letra abaixo, Gonzaguinha estava à frente de seu tempo.

"Um homem também chora, menina morena
Também deseja colo, palavras amenas
Precisa de carinho, precisa de ternura
Precisa de um abraço da própria candura
Guerreiros são pessoas tão fortes, tão frágeis
Guerreiros são meninos no fundo do peito
Precisam de um descanso, precisam de um remanso
Precisam de um sono que os torne refeitos
É triste ver esse homem, guerreiro, menino
Com a barra de seu tempo por sobre seus ombros
Eu vejo que ele berra, eu vejo que ele sangra
A dor que tem no peito, pois ama e ama
O homem se humilha se castram seus sonho
Seu sonho é sua vida e vida é o trabalho
E sem o seu trabalho, o homem não tem honra
E sem a sua honra, se morre, se mata
Não dá pra ser feliz, não dá pra ser feliz
Não dá pra ser feliz, não dá pra ser feliz
"
Um Homem Também Chora (Guerreiro Menino)
Gonzaguinha

Essa mudança no homem, que hoje vem se consolidando, nada mais é do que uma continuidade de ideias plantadas há alguns anos. Sabemos que as grandes mudanças perpassam gerações, mas, estamos no caminhar. E temos até a música como ferramenta para sensibilização e para inspirar uma transformação genuína para as novas gerações, que não viram o semear dessas ideias, mas que sentem a necessidade dessa mudança de paradigmas.

Com alegria no coração, percebo que as mensagens de encantamento e delicadeza de Gonzaguinha seguem ecoando. Quer seja na voz apaixonada e urgente do próprio compositor, quer seja nas vozes de inúmeros intérpretes como eu, que encontraram identificação nas palavras de amor, de coragem, de fé e justiça, no olhar lúcido porém sonhador, na preocupação como bem-estar das pessoas e na paixão pela vida, expressas nas músicas de Gonzaguinha. Sua obra está eternizada nos corações dos apreciadores da boa música e naqueles que nutrem a esperança.

por Mirianês Zabot





As vésperas do Dia Internacional do Forró, 13 de dezembro, data do aniversário do Rei do Baião Luiz Gonzaga, - artista que com sua voz forte e sua sanfona magnífica, traduziu para o mundo a alma nordestina e, porque não dizer, a essência do povo brasileiro -, venho falar de uma música em especial, cujo autor Antônio Barros, com mais de 700 composições gravadas, figura entre os mais prolíficos do gênero musical apresentado por Gonzagão: o forró.

Antônio Barros, cantor e compositor paraibano, que em breve, no dia 11 de março de 2020, completará 90 anos de idade, é autor de xotes, baiões e xaxados imortalizados nas vozes de grandes artistas como Jackson do Pandeiro, Elba Ramalho, Marinês, Trio Nordestino, Alcione, MPB-4, Ney Matogrosso e Fagner, até o próprio Rei do Baião rendeu-se a grandeza da obra de Antônio Barros. Entre os maiores sucessos do compositor estão "Bate Coração" (com Cecéu), "Procurando tu" (com J. Luna) e "Homem com H", música que teve, entre outras gravações, a icônica interpretação de Ney Matogrosso. É justamente sobre "Homem com H" que vou discorrer nessa edição da Coluna “A música, o luzeiro e o tempo”, uma vez que o tema da edição desse mês da Revista Redação de Beleza está debatendo o conceito de homem do século XXI, seus desafios e as diferentes formas de expressar sua masculinidade.

Em 1981 a música "Homem com H", composta anos antes por Antônio Barros, inspirada em uma cena da novela "O Bem Amado", da TV Globo, - na qual um dos personagens tenta afirmar sua questionável valentia, dizendo: “Eu nunca vi rastro de cobra nem couro de lobisomem, eu sou é homem.”, frase que se tornariam parte da letra dessa música -, volta à baila com grande sucesso, na voz de Ney Matogrosso, como faixa 5 do seu LP homônimo, lançado pela gravadora WEA, o 9º disco da carreira do cantor, sendo que os dois primeiros são da discografia do Secos & Molhados, grupo que Ney formara ao lado de Gerson Conrad e João Ricardo. No mesmo ano a música recebeu o Troféu Imprensa, do canal SBT, na categoria de Melhor Música do Ano.

A letra de "Homem com H" fala de forma jocosa sobre a necessidade, imposta ao homem pela sociedade, de que ele seja o machão, conforme aparece, em expressão de origem nordestina, na seguinte frase da música: “Cabra macho pra danar”. Esse ponto de vista é expressado pela própria mãe do personagem retratado na canção, completando o pensamento ela diz: “Ai meu Deus como eu queria que essa cabra fosse homem”. Pelo estereótipo de masculinidade, arraigado ainda na infância de meninos e meninas, ou até mesmo durante a gestação, como menciona a música, espera-se de um homem ser corajoso e capaz de enfrentar qualquer “valente”, respondendo às ameaças sem titubear, sejam elas desse mundo ou do outro, visto que ele não deveria ter sequer medo de lobisomem. Almeja-se um tipo de “homem das cavernas”, habilidoso em defender sua família, fazendo uso da luta e da truculência.

 “Nunca vi rastro de cobra
Nem couro de lobisomem
Se correr o bicho pega
Se ficar o bicho come

Porque eu sou é home
Porque eu sou é home
Menino eu sou é home
Menino eu sou é home

E como sou

Quando eu estava pra nascer
De vez em quando eu ouvia
Eu ouvia a mãe dizer
Ai meu Deus como eu queria
Que essa cabra fosse home
Cabra macho pra danar
Ah! Mamãe aqui estou eu
Mamãe aqui estou eu
Sou homem com H
E como sou

Cobra! Home
Pega! Come

Porque eu sou é home
Porque eu sou é home
Menina eu sou é home
Menina eu sou é home

Eu sou homem com H
E com H sou muito home
Se você quer duvidar
Olhe bem pelo meu nome
Já tô quase namorando
Namorando pra casar

Ah! Maria diz que eu sou
Maria diz que eu sou
Sou homem com H
E como sou

Homem com H (Antônio Barros)

Fica subentendido que aquele homem que não proceder segundo essas diretrizes, seria um covarde, um medroso incapaz de enfrentar "como um homem" os perigos que venham a se apresentar.

Na voz de Ney Matogrosso, a música “Homem com H” ganha uma dimensão interessantíssima, porque sua imagem, desde a época do grupo Secos & Molhados, apresentava um ser híbrido, que não era nem totalmente homem, nem totalmente mulher, nem inteiramente um bicho. Os figurinos e maquiagens eram descomprometidos com a masculinidade tradicional. Ele também não tinha sequer, a pretensão de ser uma mulher, era uma figura andrógena (termo novo para a época). Definitivamente ele não era, e não é, um “Homem com H”, uma vez que não é machista e é alguém que opta pela empatia, respeito e sutileza no trato com as pessoas.  

Aliado a isso, havia também uma forte expressão corporal nas apresentações de Ney Matogrosso. Nas palavras do próprio Ney: “Só quem podia se expressar fisicamente eram as mulheres, homens não podiam. Eu vi que eu podia me expressar fisicamente...”. Tal postura causou um choque nas pessoas mais conservadoras, “... Embora eu ache que as minhas apresentações não era sexualidades, eu usava minha libido como uma arma, não era para ganhar ninguém, não era sedutor, era agressivo até, porque eu tinha de ser. Já que algumas vezes tentaram me agredir e eu tive que encarrar cinco mil pessoas me xingando, aí eu parei e fiz uma pose, continuaram me xingando...”, nisso ele respondeu aos xingamentos da plateia posicionando-se firmemente um palavrão, bem mais contundente e definitivo. “... Aí começaram a me aplaudir. Entendi nesse momento que eu não podia ter medo e, aprendi para o resto da minha vida, que não podemos ter medo.”

Há uma forte e irônica critica à sociedade na figura artística de Ney Matogrosso. Algo que questiona a hipocrisia e os padrões preestabelecidos, emburrecidos e embrutecidos. Ele controverte a cegueira intelectual da manada, mostrando que existe desamor e pouca compreensão entre as pessoas. O bonito disso, é que essa provocação se apresenta sem contundência, sem apelações desnecessárias e sem ofensas. É a arte sendo disponibilizada a população, com alto nível de qualidade artista e musical e, ao mesmo tempo, cumprindo seu grande papel que é instigar pessoas a pensar e chegar as suas próprias conclusões sobre a proposta artística que lhes é apresentada. Joga luz para que as pessoas enxerguem além, sem ditar qual o ponto de vista elas devem ter sobre a vida ou sobre o mundo.

A título de curiosidade, Ney só foi subir no palco sem os figurinos e maquiagens exóticas, usando apenas um terno branco e sem dançar, mais tarde em 1987, no show “Pescador de Pérolas” por, segundo o próprio artista, “uma necessidade pessoal de se afirmar apenas como cantor”. O fato, é que a intensidade, presença e sensibilidade interpretativa desse grande artista é muito presente, com ou sem figurinos, com ou sem maquiagens.

A reflexão deixada por “Homem com H”, através de seu principal interprete, Ney Matogrosso, é que existem outras formas de expressar a masculinidade. São aquelas onde o homem busca ser mais sensível aos sentimentos dos outros, percebendo as sutilezas das relações humanas. Essa conduta melhora a empatia, que é a capacidade de colocar-se no lugar do outro indivíduo, sentindo assim suas dores e alegrias. É importante lembrar que a expressão da força de um homem não está necessariamente na contundência e nem no “falar grosso”, e que ele, tão pouco precisa fazer “coisas de homem” para se provar como tal. O desafio do homem em 1981 e agora no século XXI, continua sendo o de aceitar-se como ele verdadeiramente é, libertando-se de ideias preestabelecidos e percebendo o quanto é prejudicial, para homens e mulheres, ser aquilo que a sociedade machista exige. É generoso e benéfico pra todo mundo, fazer esse exercício de desconstrução desses padrões alimentados geração após geração, reforçados por pais, professores, amigos e sociedade como um todo, ditando o que é “coisa masculina” e o que é “coisa feminina”.

Porque pensar por si próprio é a verdadeira expressão de liberdade.

* Para saber mais sobre Luiz Gonzaga, Antônio Barros e outros importantes nomes da música brasileira, recomendo a leitura dos textos no Blog do Assis Ângelo (jornalista, biógrafo de Luiz Gonzaga e estudioso da cultura popular): http://assisangelo.blogspot.com/search?q=Luiz+Gonzaga

por Mirianês Zabot





Muito além das versões em português para clássicos natalinos como "Bate o Sino (Jingle Bells)", "Noite Feliz", - originalmente escrita em alemão -, e "Então é Natal", - música de John Lennon, imortalizada por aqui na voz de Simone -, existe uma igualmente bonita e vasta discografia recheada de músicas criadas originalmente por compositores brasileiros. Portanto, parafraseando Jackson do Pandeiro e Severino Ramos, eu digo: “É Natal que eles querem? Eu tenho!”.

Na coluna "A música, o luzeiro e o tempo", dessa edição Especial de Natal da Revista Redação de Beleza, vou contar uma história natalina, que tem a música popular brasileira por protagonista.

Em 1932, um grande baiano conhecido como Assis Valente compôs a música mais importante do cancioneiro natalino brasileiro, chamada "Boas Festas", que no ano seguinte foi gravada e lançada por Carlos Galhardo, em 78 rpm pela gravadora Victor. A música questiona, não só a felicidade inerente à época de Natal, mas até a bondosa figura do Papai Noel.

“Anoiteceu, o sino gemeu
E a gente ficou feliz a rezar
Papai Noel, vê se você tem
A felicidade pra você me dar
Eu pensei que todo mundo
Fosse filho de Papai Noel
E assim felicidade
Eu pensei que fosse uma
Brincadeira de papel
Já faz tempo que eu pedi
Mas o meu Papai Noel não vem
Com certeza já morreu
Ou então felicidade
É brinquedo que não tem”
Boas Festas (Assis Valente)

No entanto, foi na voz de uma mulher, a carioca Madelou Assis, que chegou ao mercado brasileiro, em dezembro 1932 pela Columbia, o 78 rpm com a primeira gravação de uma música com tema natalino, intitulada “Papai Noel (Felicidade)” de Custódio Mesquita. A curiosidade sobre essa letra é que ela descreve um rapto. A personagem pede ao Papai Noel que devolva seu irmãozinho, levado embora por ele, no Natal anterior. Novamente temos um tema melancólico no Natal brasileiro.

“Papai Noel
Você que é tão bonzinho
E todos os anos me visita
E me traz um presentinho
Me faz um favor,
Não esqueça meu pedido
Saberei agradecer se for atendida
Você me traz uma coisa pequena
Que é maior ’ra quem perdeu,
Que mesmo pra quem achou
Você me traz por favor meu irmãozinho
Que ano passado você levou”
Papai Noel – Felicidade (Custódio Mesquita)

Já em 1974, em disco lançando pela Odeon, foi a vez do paulista Adoniram Barbosa usar toda sua inventividade, para na música “Véspera de Natal”, contar a história de um pai, que na noite de Natal, tenta trazer o lúcido à vida de sua tão necessitada família.

“Eu me lembro muito bem
Foi numa ‘véspa’ de Natal
Cheguei em casa encontrei minha nega zangada
A criançada chorando
Mesa vazia não tinha nada
Saí, fui comprar bala-mistura
Comprei também um pãozinho de mel
E cumprindo a minha jura
Me fantasiei de Papai Noel
Falei com a minha nega de lado
Eu vou subir no telhado
E descer a chaminé
Enquanto isso você
Pega a criançada e ensaia o ‘jingoubé’
Ai, meu Deus, que sacrifício
O orifício da chaminé era pequeno
Pra me tirar de lá,
Foi preciso chamar os bombeiro”
Véspera de Natal (Adoniran Barbosa)

Até Chico Buarque foi arrebatamento pelo Natal, lançando em 1967, um compacto, - feito sob encomenda para os clientes de uma imobiliária -, que trazia no lado A, a marcha “Tão Bom que Foi o Natal”, de sua autoria.

“Tão bom, tão bom, tão bom, tão bom
Tão bom que foi o Natal
Ah quem me dera fosse o ano inteiro igual
Olha a cidade que linda
Até parece deserta
A meninada dormindo
De janela aberta
Papai Noel completa toda coleção
Boneca, bicicleta, bola, bala e balão
Pra quem não tem seu tesouro
A vida é só uma esperança
E nada vale mais ouro que inda ser criança
Quem não vive de amor não vai viver sempre assim
Papai Noel planta flor onde não tem jardim
Papai Noel volta só
Papai Noel volta a pé
Papai Noel sem trenó
Pra casa sem chaminé
Em casa só sem criança
Ele vai ler o jornal”
Tão Bom que Foi o Natal (Chico Buarque)
 
A lista de importantes compositores brasileiros tocados pelo espírito natalino é grande em quantidade e qualidade, temos músicas como “Presente de Natal” de Alvarenga e Ranchinho, “Natal das Crianças” de Blecaute, “Natal Pobre” de Luiz Vieira, “Natal na Fazenda” de Altamiro Carrilho, “Cartão de Natal” de Zé Dantas e Luiz Gonzaga, “Natal dos Caboclos” de Paraguassu e Capitão Furtado, “25 de Dezembro” de Palmeira e Mario Zan, “Papai Noel Chorou” de Zé Paioça e Tonico e Tinoco, e muitas outras pérolas. Vale a audição! Para que essas canções nos inspirem e alimentem em nós o amor e a generosidade.

Desejo que o Natal nos traga luz, para que possamos ver a nós mesmos, e encantamento, para que possamos ver a vida e a todos com mais delicadeza e carinho. Boas Festas!

* Essa pesquisa discográfica foi realizada no rico acervo de LPs, livros, compactos e CDs de música brasileira, pertencentes ao acervo do Instituto Memória Brasil (Assis Ângelo), em São Paulo/SP. Para saber mais sobre o IMB: www.institutomemoriabrasil.com.br

por Mirianês Zabot

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